A Borracha Natural da Idade Média ao Terceiro Milênio

Preparamos uma linha do tempo muito especial com diversos acontecimentos históricos envolvendo a BORRACHA NATURAL NO BRASIL.Venha conhecer um pouco mais desta que é umas das grandes riquezas nacionais e coloca país na 1º lugar na produção da borracha natural da América Latina.

1492  –  Cristóvão Colombo, descobridor da América, volta à corte da Espanha e exibe estranhas bolas que pulam. A borracha natural era usada por nativos da América Tropical na confecção de bolas e outros artefatos rudimentares.

1736  –  O cientista francês Charles Marie De La Condemine visita a região amazônica e leva amostras da borracha. Revela: estranho “leite” extraído de uma árvore é utilizado na “fabricação” de rústicos calçados, sacolas e brinquedos.

1750  –  Belém (Pará) inicia a produção de botas para o exército português. Era um processo rudimentar de industrialização da borracha.

1770  –  A borracha é usada para apagar traços feitos a lápis.

1800  –  Belém torna-se exportador de sapatos de borracha.

1827 –  O Brasil inicia a exportação de borracha natural. Os principais clientes são a Europa e os Estados Unidos.

1830  –  Generaliza-se o uso da borracha natural. O produto é utilizado na fabricação de tubos, fios, pára-choques, molas de máquinas. Cientistas americanos e europeus intensificam pesquisas.

1840  –  Charles Goodyear (EUA) inventa o processo de vulcanização (o látex adquire maior elasticidade e resistência ao atrito misturado ao enxofre e submetido à alta temperatura).

Goodyear escreveu: “… a mais notável qualidade desta goma (látex) é a elasticidade. Quando distendida, pode alcançar um comprimento igual a oito vezes o seu comprimento normal sem romper-se e voltando logo depois a sua forma original… não existe nenhuma outra substância no mundo que provoque igual soma de curiosidade, surpresa e admiração”.

1845 –  É testado o primeiro pneu em veículo de tração animal. O pneu de borracha é confeccionado por Thompson (EUA).

1855  –  Os ingleses, depois de pesquisar a borracha (sua aplicação na indústria, comercialização, formação de seringais), concluem que “é um importante produto estratégico”.

1875  –  O plantador inglês Henry Wickman, a serviço do Império Britânico, coleta sementes da seringueira no Vale do Tapajós e envia-as para Sir Joseph Dalton Hooker, do Jardim Botânico de Londres. Posteriormente, o material é transportado para colônias inglesas, na Ásia. Era o início do processo de multiplicação da Hevea brasiliensis, árvore nativa brasileira, no Sudeste Asiático.

1885  –  O inglês Boyd Dunlop inventa o pneumático. A matéria-prima é a borracha natural da Amazônia.

1888  –  É iniciada a produção de pneumáticos utilizados em veículos com motor de combustão. Com a invenção do automóvel, por Henry Ford, e a do pneumático, há uma revolução no sistema de transportes no mundo.

1890  –  Manaus é o centro de exportação de borracha. De um aglomerado urbano no meio da selva amazônica torna-se uma capital moderna. Edifícios com estilos arquitetônicos europeus são construídos a partir de 1880. Exemplo é o teatro Amazonas, inspirado na arquitetura francesa. Manaus é chamada de Paris dos Trópicos. É a segunda cidade brasileira a instalar iluminação elétrica.

O ciclo da borracha (1880 a1915) cria uma outra metrópole.

É Belém (Pará), que se torna a quinta cidade do País no início do século XX, após Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Recife. São construídas amplas avenidas e praças, erguidos imponentes edifícios públicos e residências, além do porto. Os prédios da Praça da República são testemunhos do período áureo da borracha.Durante este ciclo, a renda per capta no Amazonas foi, em média, de 224$000 (duzentos e vinte e quatro mil réis) e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, 93$000 (noventa e três mil réis).A borracha representa 40% do volume das exportações do País. Com isso a região amazônica passa a ter importância econômica mundial.

1907  –  O Brasil produz 38.000 toneladas de borracha.

1911  –  O País exporta 45.000 toneladas de borracha, mas já enfrenta a concorrência das colônias inglesas do Sudeste Asiático. No ano seguinte, o Brasil deixa de ser o maior exportador mundial de borracha.

1915  –  Com o fim do ciclo da borracha, a economia amazônica entra em rápido declínio.

A seringueira é introduzida no estado paulista pelo coronel José Procópio de Araújo Ferraz em sua fazenda – a Santa Sofia, no distrito de Gavião Peixoto (região de Araraquara). Gavião Peixoto tornou-se município em 1995.É curiosa a chegada da seringueira em São Paulo: o coronel Procópio Ferraz escreveu cartas com pedidos de sementes ao então coronel Rondon, que percorria a Amazônia. Rondon atendeu o pedido. Das primeiras sementes enviadas, 27 germinaram.

1927  –  A Companhia Ford instala a Fordlândia às margens do rio Tapajós. Faz plantio de 4.070 hectares de seringueira. Foi uma tentativa frustrada de cultivo racional da árvore produtora de látex. A Ford formou outro seringal em Belterra, próximo a Santarém. Novo malogro. Entre as causas do insucesso, o desconhecimento da floresta amazônica e o ataque do “mal-das-folhas”.

1939  –  O Ministério da Agricultura cria um serviço para estudo da Hevea brasiliensis na Fazenda Santa Sofia, mas sem incentivo, o projeto falha. O coronel Procópio acredita na seringueira paulista e continua distribuindo sementes e mudas.

1941  –  Plantios de seringueira são iniciados nas estações experimentais de Pindorama, Ribeirão Preto e Campinas, no Instituto Agronômico de Campinas e na fazenda Água Milagrosa, em Tabapuã.

1942 – 1945  –  O Japão invade regiões produtoras de borracha no Sudeste Asiático durante a Segunda Guerra Mundial. É celebrado acordo entre Brasil e Estados Unidos para o incremento da borracha natural nativa na Amazônia. O governo encaminha milhares de nordestinos para a Amazônia. Era o “exército da borracha”. O desinteresse pelo produto brasileiro declina novamente ao final da guerra com a libertação das regiões produtoras do Sudeste Asiático.

1951 – 1960  –  O Brasil faz a primeira importação de borracha natural, em 1951. O produto vem das antigas colônias inglesas asiáticas.

O Governo brasileiro criou programas de incentivo à heveicultura. Um decreto obrigava a aplicação de 20% do lucro líquido das empresas pneumáticas em plantios de seringueiras. A Pirelli e a Firestone introduziram seringais na Bahia; a Goodyear, no Pará, mas as plantas foram atingidas pelo “mal-das-folhas”. Cresce o emprego da borracha sintética. São Paulo torna-se um pólo automobilístico.

1954  –  A Secretaria da Agricultura Paulista cria a comissão técnica da seringueira, cuja função é promover pesquisas e o fomento da cultura.

1957  –  São instalados 40 campos de cooperação para produção de mudas de seringueira no litoral paulista e viveiros em Tabapuã e Planalto. Na década de 60, seringais são formados na região de São José do Rio Preto.

1967  –  A Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria da Agricultura estimula a reativação do programa de expansão da borracha.

Mini-usinas de processamento funcionam em seringais de Bálsamo, Colina, Estrela D’Oeste, Tabapuã, Oriente, Tupã, Pindamonhangaba, Registro e Jacupiranga. O governo federal cria o Conselho Nacional da Borracha, com funções normativas, e a Superintendência da Borracha (Sudhevea), com atribuições executivas.

1975  –  Forte geada destrói cafezais no Estado de São Paulo. A seringueira entra em áreas ocupadas por café.

1976  –  A CATI incentiva a formação de campos de cooperação de mudas de seringueira. A Divisão Regional Agrícola (DIRA) de São José do Rio Preto foi a única que instalou campos (cinco, com 200 mil mudas).

1978  –  Convênio entre a CATI e a Embrater é assinado para dinamizar a assistência técnica do programa da seringueira. Há o plantio de 95 mil mudas na região de São José do Rio Preto.

1980  –  Começa a grande expansão da seringueira no Noroeste Paulista: plantio de 240 mil mudas em 1980; 450 mil, em 1982; 670 mil em 1983.

1989  –  O IBAMA é criado e uma de suas diretorias assume atribuições da Sudhevea e do Conselho Nacional da Borracha. Ações anteriores haviam fracassado, como o Programa de Incentivo à Produção de Borracha Vegetal (PROBOR), mas tiveram o mérito de despertar o interesse pela heveicultura no País.

1990  –  O IBAMA firma convênios com cooperativas agrícolas paulistas para estimular a heveicultura, uma delas a Cafealta, de São José do Rio Preto.

1991  –  O Noroeste Paulista concentra cerca de 60% dos 11 milhões de seringueiras no Estado de São Paulo. Pouco mais de 1,5 milhão desse total encontram-se em fase produção.

1992  –  A APABOR (Associação dos Produtores e Beneficiadores de Borracha do Estado de São Paulo) é fundada, em novembro. Percy Putz é eleito presidente. Entre os objetivos da associação, a melhoria e garantia de preços; unir produtores e beneficiadores de borracha e defender os seus interesses; divulgar técnicas atualizadas da cultura.

O Estado de São Paulo supera a Bahia e torna-se o maior Estado produtor de borracha natural do País.

1997  –  O Governo Federal cria a subvenção econômica (subsídios) aos produtores de borracha.

1998  –  A APABOR elege Wanderley Sant’Anna para presidir a associação no triênio 1998-2001. Substitui Percy Putz.

A APABOR realiza o I Ciclo de Palestras sobre Heveicultura Paulista em novembro na cidade de Barretos. Entre os assuntos debatidos, os atrasos na liberação dos subsídios aos produtores, o futuro da borracha, técnicas de sangria, controle de pragas e doenças.

2000  –  Durante o II Ciclo de Palestras sobre a Heveicultura Paulista, em S. José do Rio Preto, a APABOR propõe o aumento de 45 mil para 180 mil hectares da área de seringueira no Estado de São Paulo num prazo de 15 a 20 anos. O produtor teria financiamentos oficiais. O estado paulista, com este programa, supriria 50% do consumo nacional no ano 2020.

2001  –  Wanderley Sant’Anna é reeleito presidente da APABOR. A associação promove reuniões técnicas em municípios paulistas, divulga técnicas para melhoria da produtividade do seringal e prega a expansão da heveicultura.

(FONTES: IBAMA, EMBRAPA, Enciclopédia Abril, Enciclopédia Larousse Cultural, Informativo Apabor, trabalhos de Jayme Vazquez Cortez, Percy Putz, Wanderley Sant’Anna, Antonio Bacchiega, jornais O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo, Diário da Região, Folha de Rio Preto, FAESP, Secretaria da Agricultura, entre outras).

Fonte: www.apabor.org.br
2018-10-01T08:44:42-03:00